Vêm a cara, vêm o corpo, vêm o sexo…
Vêm isto ao contrário… Eu não…
Vejo a sombra, vejo o rosto; paraliso-me no olhar.
Sinto o toque, sinto os lábios; observo quem rouba o coração.
Sinto Paixão, sinto Amor, vejo-me amado.
Vejo a sombra… Sinto-me enganado…
Se vira as costas vou atrás.
Se fala de frente, aguento o que oiço.
Sou boneco de quem mo roubou,
Sou saco de pancada para quem se enganou.
Não falo… Se falo é errado e sou do pior…
Amo… E se o digo a dor é maior…
Se me queixo, queixa-se mais…
Se não faço é para fazer.
Se o fiz não podia ter feito.
Mas que posso eu dizer?
“Vais ser feliz”, “não digas algo sem jeito”.
É isto, sabendo que não é comigo que o quer…
Passei, por palavras, de nada a um pouco,
De um pouco a quase tudo e de seguida para nada mais.
Passei, realmente, de nada a menos nada.
Tornei-me insignificante, com valor negativo.
Se há algo a dizer? Se há algo a fazer?
Esquecer que fui apenas um digestivo,
Que acabou por intensificar a dor…
Fiquei contagiado… A cura já não é Amor…
Se olharmos para o chamado Horizonte conseguimos definir uma recta horizontal. Ora, sendo uma recta, não tem limite e, tal como não podemos conhecer o seu fim, não sabemos o que há depois da recta. O Horizonte divide-nos do que está mais longe. É preciso que nos aproximemos desta divisão e a tentemos ultrapassar. Só assim alcançamos o mais profundo dos segredos. O Infinito Horizontal foi criado para ultrapassar o grande Horizonte de um Universo Infinito.
08 março 2010
24 fevereiro 2010
Puzzle dos Problemas
Desligo-me do mundo para me ligar a ele.
Abstraio-me de tudo e foco-me num puzzle,
De um número indefinido de peças,
Todas desorganizadas, sem saberem onde estão.
Oh, desejo o meu de completar aquele puzzle!
Mas... Peças quadradas sem cor...
Impossível? Acreditei que sim...
Mas agora... Agora talvez não seja!
Tentei inutilmente juntar algumas peças,
Ignorante sobre como começar tal monstruosidade.
No entanto, por momentos vi nuvens,
Numa das peças que agarrara.
Foquei o meu olhar
E a peça pareceu desembaciar.
Um conjunto de imagens passou...
E percebi como começar!
Cada peça é um problema.
Cada resposta é a sua imagem.
É preciso olhar para uma de cada vez,
Interpretar e dar resposta...
Pois então já sei qual é a última peça...
O meu problema é dar resposta aos outros...
É resolver o puzzle todo...
Nada é fácil... Nada é impossível...
O que me espera?
Uma vida de um problema,
Que se divide em outros mais...
Cansaço... Vitória?
Talvez...
Abstraio-me de tudo e foco-me num puzzle,
De um número indefinido de peças,
Todas desorganizadas, sem saberem onde estão.
Oh, desejo o meu de completar aquele puzzle!
Mas... Peças quadradas sem cor...
Impossível? Acreditei que sim...
Mas agora... Agora talvez não seja!
Tentei inutilmente juntar algumas peças,
Ignorante sobre como começar tal monstruosidade.
No entanto, por momentos vi nuvens,
Numa das peças que agarrara.
Foquei o meu olhar
E a peça pareceu desembaciar.
Um conjunto de imagens passou...
E percebi como começar!
Cada peça é um problema.
Cada resposta é a sua imagem.
É preciso olhar para uma de cada vez,
Interpretar e dar resposta...
Pois então já sei qual é a última peça...
O meu problema é dar resposta aos outros...
É resolver o puzzle todo...
Nada é fácil... Nada é impossível...
O que me espera?
Uma vida de um problema,
Que se divide em outros mais...
Cansaço... Vitória?
Talvez...
28 janeiro 2010
Eu, o Espelho e Eu
Observo o solitário espelho embaciado,
Temendo o que por trás daquela neblina me apareça.
Aguardo pacientemente que se torne revelado.
A curiosidade é muita, mas começo a perder a cabeça.
«Que escondes tu, oh espelho?», decido perguntar.
Nada de resposta, nada de tesouro encontrado…
«Responde-me, que não morro sem o desvendar!»,
Mais uma vez o som do vazio; mais frustrado…
«É isto que procuras?», ergue-me o queixo o som!
Rasga-se um sorriso; maior a distorção…
Fico especado para o espelho, com cara sem tom.
Enfrento o meu rosto, a minha face sem expressão.
Não havia posto a hipótese de me esconder a mim.
Desvendo o meu rosto, mas a ele já o conheço…
«Como pudeste cobrir algo assim?!»
«O que te mostro aqui é algo sem preço.».
«A minha face? Para que me serve ela?»
«Permite que conheças com profundidade»
Mais nada se ouviu. Foco-me então nela.
Começo a sentir uma estranha amizade…
Conheço o que vejo. Mas que ideias nela estão?!
Meto conversa, em busca de tal saber.
Convergem divergências que partiram da união,
O que nos levou a concluir um novo ser.
Compreendo agora: de um, em dois se transforma;
Estes requerem dois lados: Eu e Eu, que refutam,
Acabando por construir nova individual Norma.
Com o outro Eu discuto. Os outros não escutam.
Temendo o que por trás daquela neblina me apareça.
Aguardo pacientemente que se torne revelado.
A curiosidade é muita, mas começo a perder a cabeça.
«Que escondes tu, oh espelho?», decido perguntar.
Nada de resposta, nada de tesouro encontrado…
«Responde-me, que não morro sem o desvendar!»,
Mais uma vez o som do vazio; mais frustrado…
«É isto que procuras?», ergue-me o queixo o som!
Rasga-se um sorriso; maior a distorção…
Fico especado para o espelho, com cara sem tom.
Enfrento o meu rosto, a minha face sem expressão.
Não havia posto a hipótese de me esconder a mim.
Desvendo o meu rosto, mas a ele já o conheço…
«Como pudeste cobrir algo assim?!»
«O que te mostro aqui é algo sem preço.».
«A minha face? Para que me serve ela?»
«Permite que conheças com profundidade»
Mais nada se ouviu. Foco-me então nela.
Começo a sentir uma estranha amizade…
Conheço o que vejo. Mas que ideias nela estão?!
Meto conversa, em busca de tal saber.
Convergem divergências que partiram da união,
O que nos levou a concluir um novo ser.
Compreendo agora: de um, em dois se transforma;
Estes requerem dois lados: Eu e Eu, que refutam,
Acabando por construir nova individual Norma.
Com o outro Eu discuto. Os outros não escutam.
25 janeiro 2010
Destino que se vai escrevendo
Damos um passo, sem se saber o que poderá acontecer. Podemos imaginar, supor, acreditar, mas nunca será certo o que irá ocorrer. O destino não é aquilo que está escrito mas sim o que vamos escrevendo com cada passo, o trajecto que percorremos, o rasto que deixamos.
Cada marca que se fixa na pele mostra um pouco do que já foi passado. Mas isso é o que se vê, é o que os outros podem ver. Não se limita apenas ao exterior mas também ao interior de cada um de nós. Todos passamos caminhos que outros não poderiam confirmar. É algo nosso, algo que apenas nós sabemos o que foi. A marca está cá dentro: uma facada no coração, uma rosa que murcha, uma memória...
E um passo pode ser o suficiente. Pode mudar o ritmo da vida, pode mudar aquilo que se podia imaginar, supor, acreditar. Por essa razão de nada servem esses pensamentos de previsão e tentativa de adivinhação. O importante é continuar a dar passadas.
Podemos dar um passo e começar a subir uma escada. Damos outros mais, cada vez mais altos. Tentamos alcançar aquele horizonte fino, onde poderá estar a felicidade. Finalmente começa a aparecer uma forma, algo que nos deixa bem, algo que nos dá esperanças! E damos mais passos, cada vez mais velozes! Tudo parece bater certo! Está ali, faltam dois passos! Falta um... E caímos... A pressa não nos deixou aperceber de um buraco... Subimos tanto, cansámo-nos tanto, estivémos tão perto do que procurávamos... E por um passo em falso caímos... Um passo de distracção...
Agora, caídos naquele poço escuro, simétrico do que estava tão perto, temos duas opções: ou tentamos sair de lá, ou desistimos de tudo e fazemos do nada a nossa etapa final. O mais fácil será a segunda opção, que não requer nenhum esforço, mas o resultado é o nada. Mais difícil é a primeira opção, mas se não houver desistência será possível procurar outras escadas e subi-las de novo, com especial atenção ao erro anterior cometido. Se houver nova queda, é necessário continuar a insistir! Nunca desistir!
E por isso mesmo, é importante que existam passos. Mas sem serem muito lentos, nem demasiado rápidos. É necessário deixar o rasto...
Cada marca que se fixa na pele mostra um pouco do que já foi passado. Mas isso é o que se vê, é o que os outros podem ver. Não se limita apenas ao exterior mas também ao interior de cada um de nós. Todos passamos caminhos que outros não poderiam confirmar. É algo nosso, algo que apenas nós sabemos o que foi. A marca está cá dentro: uma facada no coração, uma rosa que murcha, uma memória...
E um passo pode ser o suficiente. Pode mudar o ritmo da vida, pode mudar aquilo que se podia imaginar, supor, acreditar. Por essa razão de nada servem esses pensamentos de previsão e tentativa de adivinhação. O importante é continuar a dar passadas.
Podemos dar um passo e começar a subir uma escada. Damos outros mais, cada vez mais altos. Tentamos alcançar aquele horizonte fino, onde poderá estar a felicidade. Finalmente começa a aparecer uma forma, algo que nos deixa bem, algo que nos dá esperanças! E damos mais passos, cada vez mais velozes! Tudo parece bater certo! Está ali, faltam dois passos! Falta um... E caímos... A pressa não nos deixou aperceber de um buraco... Subimos tanto, cansámo-nos tanto, estivémos tão perto do que procurávamos... E por um passo em falso caímos... Um passo de distracção...
Agora, caídos naquele poço escuro, simétrico do que estava tão perto, temos duas opções: ou tentamos sair de lá, ou desistimos de tudo e fazemos do nada a nossa etapa final. O mais fácil será a segunda opção, que não requer nenhum esforço, mas o resultado é o nada. Mais difícil é a primeira opção, mas se não houver desistência será possível procurar outras escadas e subi-las de novo, com especial atenção ao erro anterior cometido. Se houver nova queda, é necessário continuar a insistir! Nunca desistir!
E por isso mesmo, é importante que existam passos. Mas sem serem muito lentos, nem demasiado rápidos. É necessário deixar o rasto...
30 dezembro 2009
Cortar o Mal pela raíz?
Quando tentamos acabar com um Mal,
Este faz-se de outros Bens acompanhar.
Terá assim algum benefício final?
Será preferível deixar um malefício respirar?
Cada caso será o seu e de mais nenhum.
Mas deveremos extinguir aquilo que não queremos,
Cortando a raiz, eliminando os frutos de mãe comum?
É o Tudo ou Nada. É aquilo que escolhemos.
O Tudo deixa-nos o Nada; deixa o oco.
Uma fenda no mundo que não é ocupada de Mal nem Bem.
O Nada deixa-nos o Tudo; bom, mau, de tudo um pouco.
Uma casa cheia de doces e salgados; azedos também.
Então porquê arrancar a raiz e sem nada ficar,
Quando se pode retirar o fruto com tumor,
Ou apenas o ramo que lhe deu origem cortar?
A escolha de ficar sem nada é para os que têm temor.
Os que escolhem ficar sem nada estão a desistir.
Decidem terminar com tudo, estando o Bom incluído.
É simplesmente uma maneira de fugir.
Preferem que o silêncio substitua o anterior ruído.
Os outros escolhem a mais difícil opção.
Procuram os frutos indesejados para da planta retirá-los,
Sem que seja necessário retirar o coração.
Escolhem ultrapassar os obstáculos e não esquivá-los.
Dedicado a uma amiga há uns tempos, achei que o devia colocar aqui. Reflictam um pouco sobre o que escrevi.
Este faz-se de outros Bens acompanhar.
Terá assim algum benefício final?
Será preferível deixar um malefício respirar?
Cada caso será o seu e de mais nenhum.
Mas deveremos extinguir aquilo que não queremos,
Cortando a raiz, eliminando os frutos de mãe comum?
É o Tudo ou Nada. É aquilo que escolhemos.
O Tudo deixa-nos o Nada; deixa o oco.
Uma fenda no mundo que não é ocupada de Mal nem Bem.
O Nada deixa-nos o Tudo; bom, mau, de tudo um pouco.
Uma casa cheia de doces e salgados; azedos também.
Então porquê arrancar a raiz e sem nada ficar,
Quando se pode retirar o fruto com tumor,
Ou apenas o ramo que lhe deu origem cortar?
A escolha de ficar sem nada é para os que têm temor.
Os que escolhem ficar sem nada estão a desistir.
Decidem terminar com tudo, estando o Bom incluído.
É simplesmente uma maneira de fugir.
Preferem que o silêncio substitua o anterior ruído.
Os outros escolhem a mais difícil opção.
Procuram os frutos indesejados para da planta retirá-los,
Sem que seja necessário retirar o coração.
Escolhem ultrapassar os obstáculos e não esquivá-los.
Dedicado a uma amiga há uns tempos, achei que o devia colocar aqui. Reflictam um pouco sobre o que escrevi.
17 dezembro 2009
O Homem de hoje
Cheira a podre carne que por estes lados passa.
De um lado para o outro, com o tempo apodreceu.
Mas não deixou um caminho feito só por desgraça,
Pois que em tempos foi grande sabor do apogeu.
Mas a podridão alastra-se e por onde passa permanece.
Cobriu os trilhos dos que primeiro vieram marcar o mundo,
Cujas marcas são agora o sal que na água não parece.
Cheira mal e não é comestível: bateram no do poço fundo.
Morreram e mataram. Nada ficou. Lá se foi a Igualdade;
A procura da Verdade; a partilha e a honestidade.
Por baixo do nada fica enterrado o tudo, até um dia!
Que uma nova razão apareça e procure a do Homem magia...
De um lado para o outro, com o tempo apodreceu.
Mas não deixou um caminho feito só por desgraça,
Pois que em tempos foi grande sabor do apogeu.
Mas a podridão alastra-se e por onde passa permanece.
Cobriu os trilhos dos que primeiro vieram marcar o mundo,
Cujas marcas são agora o sal que na água não parece.
Cheira mal e não é comestível: bateram no do poço fundo.
Morreram e mataram. Nada ficou. Lá se foi a Igualdade;
A procura da Verdade; a partilha e a honestidade.
Por baixo do nada fica enterrado o tudo, até um dia!
Que uma nova razão apareça e procure a do Homem magia...
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