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02 janeiro 2011

Em Mudança

Sorrisos falsos mas realistas,
Tristeza disfarçada num som bonito.
Tudo o que era não passavam de vistas,
Quadros repintados que escondiam o Grito.

Memória que só a mim importa.
Porque para os outros ela se enterra.
Entra apenas pela minha porta,
E só a mim se ferra.

Actos ou estado de repouso…
Palavras ou mudez…
De mim só querem o lado jocoso,
O resto nunca tem a sua vez…

Mas muda a vida, pois algo mudou.
Muda a maneira de pensar.
Dei tempo, ninguém se importou.
Está na hora de eu avançar.

Percebi que sou eu a minha energia;
Que os outros apenas são ajuda,
Se de mim quiserem alegria.
De resto, prefiro gente muda.

Que se calem e me deixem falar!
Agora serei eu a subir ao cume!
Farto de estar sempre a recuar,
Pois não se atrevem a pôr mão ao lume.

Não me pararão, não me calarão,
Pois já me queimei bastante,
E nem o fogo nem o Sol! Já não!
Deixai minha voz ser protestante!

Pois que agora me Uno a mim,
Só por perto quero os que têm valor.
Se me atrapalhas, não és bem-vindo assim.
Se me sentes, ofereço-te o meu calor.


(Dedicado a todos os que fizeram, fazem, farão e deixarão de fazer parte da minha vida, cada um com a parte que merece)

21 dezembro 2010

Doce Amargúra

Porquê ir à procura da morte,
Quando ela vem de livre vontade?
Porquê procurar uma dor forte,
Quando há muito mais na realidade?

Por mais inteligente que o Homem possa ser,
Num momento de maior agonia,
Acaba sempre por o bom esquecer.
Forma-se uma pessoa fria…

Mas essa fase pode ser superada.
Apercebem-se de que não perderam tudo;
Olham à volta e vêm que há mais que nada.
Apenas tinham criado um escudo.

No entanto, com tanto para viver,
Ainda há quem deixe enterrar a amargura,
Confiantes de que vida é sofrer,
Que não passa de dolorosa tortura!

Enganam-se a eles e querem levar alguém.
Apanham outros igualmente mal,
Que se sentem sem ninguém,
E parece-lhes ver alguém igual…

É apenas medo de arriscarem sorrir…
Tudo está mal se o quiserem somente!
Basta abrir os olhos e haverá mais para vir!
Não há necessidade de tornar demente.



(Dedicado àqueles que estão na fase amarga)

11 outubro 2010

Desabafo a Meio Amor

Decide o mundo tomar conta de mim!
Quando sozinho de coração estava,
Pouco importava se estava tal ou assim.
Um olhar de presença bastava…

Arranjo amores e o choque vem!
Porque têm sempre de me acudir?
Não tenho direito a ter alguém?
Mas pensam que me estou a iludir?

Não sou estúpido! Sei ver!
Já errei, como todos, mas penso!
Mas porquê quando não quero saber?!
Oh… Se existisse um pouco de bom senso…

Por mais sinceros que sejam,
Não me interessa! Não quero saber!
Trato de mim e se quiserem que vejam.
Se cair levanto-me. Ajudem se apetecer.

Só no fim é que se vê quem quer.
É fácil falar no inicio sem ser visto nada.
Julgar os outros é dom (homem e mulher)
Mas à própria pessoa deixam-na abandonada.

Quero viver à minha maneira.
Sem ter de receber dicas sobre o que fazer.
Quero fazer toda a asneira.
Quero ter de me arrepender.

E agora quero contigo estar.
Quero esquecer o que foi feito e é falado.
Quero poder-te abraçar e beijar,
Sentir a sensação de estar apaixonado.

Decidi confiar-te algo importante.
Ignorei muita coisa para ficar contigo.
O meu coração tornou-se de novo amante,
Num momento em que me dizia “já não consigo”.

Sei que palavras não são suficientes.
Tal porque não lhes dou muito valor.
E por mais que questione aquilo que sentes,
Deixa-me demonstrar-te o meu amor.

Confesso que me perco em pensamentos…
Penso no que é dito e foi feito,
Quando se dão maus acontecimentos…
Mas engulo e tudo acaba por ser desfeito…

Quero mesmo durar contigo…
Tenho-me tentado adaptar a ti (complicado).
Mas também o queria, de ti, comigo,
E podermos continuar namorada e namorado.

Prometo-te o melhor que sou capaz.
Se não for suficiente diz-me por favor.
Mas também não te deixes de pé atrás
E me largues nu mundo. Já chega de dor…

07 setembro 2010

Como carros

Cada um tem uma matrícula diferente,
Cada um tem marcas e cores variadas.
Mas apenas lhes sabem por trás e pela frente,
Pois por dentro são mais coisas alteradas.

O motor é crucial ao veículo,
Mas têm todos diferentes instintos.
Uns andam mais em recta, outros em círculo
E os caminhos que percorrem são distintos.

Alguns velozes, outros nem tanto.
Alguns chegam a longe, outros ficam a um canto.
Uns que batem por ambição
Outros que continuam, com precaução.

Mas essas estradas que viajam,
Depende também dos viajantes.
Tal como nós dos que nos odeiam e amam,
Que sem eles os caminhos não seriam semelhantes.

13 maio 2010

Emoção de vida. Ou morte?

Não dá!
Não fui feito para ser assim!
Por mais aço frio que coloque à volta do meu coração,
Acaba sempre por ser mais forte a emoção!
Porque não posso eu pôr-lhe um fim?!

Morre! Morre!
Desgraça do meu ser…
Estou morto se te sinto!
(A mim mesmo minto…)
Morre para eu viver! …

(Eu sei…)
A vida são sensações…
Mas porque tem tantas desilusões?
Porque tem sempre de doer?
Temos assim tanto de sofrer?

Talvez…
Talvez a dor da morte se torne menos intensa,
Se levarmos com esta mágoa tão densa…
Pois eu prefiro sofrer no fim e viver agora!
Que se lixe a dor! Quero Viver esta Hora!

08 março 2010

Nada Menos Nada é Igual a Zero

Vêm a cara, vêm o corpo, vêm o sexo…
Vêm isto ao contrário… Eu não…
Vejo a sombra, vejo o rosto; paraliso-me no olhar.
Sinto o toque, sinto os lábios; observo quem rouba o coração.
Sinto Paixão, sinto Amor, vejo-me amado.
Vejo a sombra… Sinto-me enganado…

Se vira as costas vou atrás.
Se fala de frente, aguento o que oiço.
Sou boneco de quem mo roubou,
Sou saco de pancada para quem se enganou.
Não falo… Se falo é errado e sou do pior…
Amo… E se o digo a dor é maior…

Se me queixo, queixa-se mais…
Se não faço é para fazer.
Se o fiz não podia ter feito.
Mas que posso eu dizer?
“Vais ser feliz”, “não digas algo sem jeito”.
É isto, sabendo que não é comigo que o quer…

Passei, por palavras, de nada a um pouco,
De um pouco a quase tudo e de seguida para nada mais.
Passei, realmente, de nada a menos nada.
Tornei-me insignificante, com valor negativo.
Se há algo a dizer? Se há algo a fazer?
Esquecer que fui apenas um digestivo,
Que acabou por intensificar a dor…
Fiquei contagiado… A cura já não é Amor…

24 fevereiro 2010

Puzzle dos Problemas

Desligo-me do mundo para me ligar a ele.
Abstraio-me de tudo e foco-me num puzzle,
De um número indefinido de peças,
Todas desorganizadas, sem saberem onde estão.

Oh, desejo o meu de completar aquele puzzle!
Mas... Peças quadradas sem cor...
Impossível? Acreditei que sim...
Mas agora... Agora talvez não seja!

Tentei inutilmente juntar algumas peças,
Ignorante sobre como começar tal monstruosidade.

No entanto, por momentos vi nuvens,
Numa das peças que agarrara.
Foquei o meu olhar
E a peça pareceu desembaciar.
Um conjunto de imagens passou...

E percebi como começar!

Cada peça é um problema.
Cada resposta é a sua imagem.
É preciso olhar para uma de cada vez,
Interpretar e dar resposta...

Pois então já sei qual é a última peça...
O meu problema é dar resposta aos outros...
É resolver o puzzle todo...
Nada é fácil... Nada é impossível...

O que me espera?
Uma vida de um problema,
Que se divide em outros mais...
Cansaço... Vitória?
Talvez...

28 janeiro 2010

Eu, o Espelho e Eu

Observo o solitário espelho embaciado,
Temendo o que por trás daquela neblina me apareça.
Aguardo pacientemente que se torne revelado.
A curiosidade é muita, mas começo a perder a cabeça.

«Que escondes tu, oh espelho?», decido perguntar.
Nada de resposta, nada de tesouro encontrado…
«Responde-me, que não morro sem o desvendar!»,
Mais uma vez o som do vazio; mais frustrado…

«É isto que procuras?», ergue-me o queixo o som!
Rasga-se um sorriso; maior a distorção…
Fico especado para o espelho, com cara sem tom.
Enfrento o meu rosto, a minha face sem expressão.

Não havia posto a hipótese de me esconder a mim.
Desvendo o meu rosto, mas a ele já o conheço…
«Como pudeste cobrir algo assim?!»
«O que te mostro aqui é algo sem preço.».

«A minha face? Para que me serve ela?»
«Permite que conheças com profundidade»
Mais nada se ouviu. Foco-me então nela.
Começo a sentir uma estranha amizade…

Conheço o que vejo. Mas que ideias nela estão?!
Meto conversa, em busca de tal saber.
Convergem divergências que partiram da união,
O que nos levou a concluir um novo ser.

Compreendo agora: de um, em dois se transforma;
Estes requerem dois lados: Eu e Eu, que refutam,
Acabando por construir nova individual Norma.
Com o outro Eu discuto. Os outros não escutam.

30 dezembro 2009

Cortar o Mal pela raíz?

Quando tentamos acabar com um Mal,
Este faz-se de outros Bens acompanhar.
Terá assim algum benefício final?
Será preferível deixar um malefício respirar?

Cada caso será o seu e de mais nenhum.
Mas deveremos extinguir aquilo que não queremos,
Cortando a raiz, eliminando os frutos de mãe comum?
É o Tudo ou Nada. É aquilo que escolhemos.

O Tudo deixa-nos o Nada; deixa o oco.
Uma fenda no mundo que não é ocupada de Mal nem Bem.
O Nada deixa-nos o Tudo; bom, mau, de tudo um pouco.
Uma casa cheia de doces e salgados; azedos também.

Então porquê arrancar a raiz e sem nada ficar,
Quando se pode retirar o fruto com tumor,
Ou apenas o ramo que lhe deu origem cortar?
A escolha de ficar sem nada é para os que têm temor.

Os que escolhem ficar sem nada estão a desistir.
Decidem terminar com tudo, estando o Bom incluído.
É simplesmente uma maneira de fugir.
Preferem que o silêncio substitua o anterior ruído.

Os outros escolhem a mais difícil opção.
Procuram os frutos indesejados para da planta retirá-los,
Sem que seja necessário retirar o coração.
Escolhem ultrapassar os obstáculos e não esquivá-los.


Dedicado a uma amiga há uns tempos, achei que o devia colocar aqui. Reflictam um pouco sobre o que escrevi.

17 dezembro 2009

O Homem de hoje

Cheira a podre carne que por estes lados passa.
De um lado para o outro, com o tempo apodreceu.
Mas não deixou um caminho feito só por desgraça,
Pois que em tempos foi grande sabor do apogeu.

Mas a podridão alastra-se e por onde passa permanece.
Cobriu os trilhos dos que primeiro vieram marcar o mundo,
Cujas marcas são agora o sal que na água não parece.
Cheira mal e não é comestível: bateram no do poço fundo.

Morreram e mataram. Nada ficou. Lá se foi a Igualdade;
A procura da Verdade; a partilha e a honestidade.
Por baixo do nada fica enterrado o tudo, até um dia!
Que uma nova razão apareça e procure a do Homem magia...