02 janeiro 2011

Em Mudança

Sorrisos falsos mas realistas,
Tristeza disfarçada num som bonito.
Tudo o que era não passavam de vistas,
Quadros repintados que escondiam o Grito.

Memória que só a mim importa.
Porque para os outros ela se enterra.
Entra apenas pela minha porta,
E só a mim se ferra.

Actos ou estado de repouso…
Palavras ou mudez…
De mim só querem o lado jocoso,
O resto nunca tem a sua vez…

Mas muda a vida, pois algo mudou.
Muda a maneira de pensar.
Dei tempo, ninguém se importou.
Está na hora de eu avançar.

Percebi que sou eu a minha energia;
Que os outros apenas são ajuda,
Se de mim quiserem alegria.
De resto, prefiro gente muda.

Que se calem e me deixem falar!
Agora serei eu a subir ao cume!
Farto de estar sempre a recuar,
Pois não se atrevem a pôr mão ao lume.

Não me pararão, não me calarão,
Pois já me queimei bastante,
E nem o fogo nem o Sol! Já não!
Deixai minha voz ser protestante!

Pois que agora me Uno a mim,
Só por perto quero os que têm valor.
Se me atrapalhas, não és bem-vindo assim.
Se me sentes, ofereço-te o meu calor.


(Dedicado a todos os que fizeram, fazem, farão e deixarão de fazer parte da minha vida, cada um com a parte que merece)

29 dezembro 2010

Mundo em Desquilíbrio

Olho para o mundo em que vivo e vejo algo que me deixa perplexo e chocado: o ser humano consegue ser bastante egoísta! Por exemplo quando alguém mais frágil precisa de ajuda e essa ajuda para um certo indivíduo corresponde a perder algo ínfimo, então nada mudará, porque pela maneira de pensar do que pode ajudar, é que se perde, não ajuda, por pouca que seja.


O Ser Humano tornou-se dependente dos objectos de luxo e da diversão, ou seja, do dinheiro. São poucos os que são capazes de abdicar de um pouco do seu luxo para uma outra pessoa se sentir minimamente viva.


Pensemos no caso da “crise” que anda por aí. Muitos dos que se queixam dela nem sabem o que realmente é. Para alguns a crise é não poderem comprar mais um telemóvel por mês, terem de comprar menos um par de calças de 90€ todas as semanas… Outros preferem ter o luxo e queixarem-se de não terem dinheiro para pagar a luz, a comida, a água, ou seja, os elementos básicos da sobrevivência. Simplesmente repugnante!


Pensemos agora naqueles que para beberem água têm de esperar até que haja, para comerem uma batata têm de trabalhar dias inteiros (e trabalhar sem comer é algo demasiado desgastante), para tratar de uma constipação (relativamente simples de ser tratada), têm de esperar que alguém lhes leve medicamentos, podendo morrer se não a tomarem.


As pessoas que se queixam de terem um pouco menos metem-me nojo, quando as ponho ao lado destas últimas que falei. E metem-me mais ainda quando sabem que outras pessoas mal sabem o que é viver e não fazem nada se não dizerem quanta pena têm.


Não serve de nada ter pena! É necessário fazer algo! É necessário dar um pouco de nós! Somos tantos que conseguimos ter uma vida minimamente saudável, com “luxo” suficiente para “sobrevivermos”. Se cada um de nós contribuir, o conjunto de todos torna-se algo incrivelmente poderoso e consegue mudar o resto do mundo.


Imaginem que 5 milhões de pessoas compravam mais uma carcaça por dia para a oferecerem a alguém que esteja a passar fome. São apenas alguns cêntimos! Seriam 5 milhões de carcaças por dia. Ajudaria bastante! Mas claro que esta gente egoísta prefere gastar esses cêntimos num jogo de 40€ que 2 meses depois já nem lhe toca, ou mesmo num casaco de 100€ que depois fica no armário durante uns dias…


Algo está mal e só não vê quem não quer. E certamente que também só não muda quem não quer, porque nenhuns dos que são capazes de ler isto irão morrer por gastar mais 10 cêntimos por semana. E os que não podem, então que ajudem de outra forma! Há muitas formas de ajudar!

24 dezembro 2010

Manter um Sorriso

Aproxima-se de novo o final de um ano. E com ele vêm presentes, união da família, união de amigos, união de outras uniões. Era bom se funcionasse realmente assim…



Na verdade o que eu vejo são coisas um pouco diferentes. Nos últimos natais discussões sobre quem não dar presentes nesse ano. “Quem não deu o ano passado, este ano também não leva de nós”, “Vamos oferecer um porque o ano passado também nos deram”.

No fundo a oferta de presentes passa a ser algo sentido como obrigatório e, tudo o que é feito como obrigação, tendo em conta que a vida está um pouco mais cara, torna-se um factor de aumento de stress, nervosismo, falta de paciência, etc.
Entre a família é um caos para saber como dividir as dívidas para as refeições natalícias de forma justa. É um espírito Natalício fantástico…

União de amigos? Bem, no que toca a mim, vejo-me obrigado a escolher entre estar com uns ou outros, pois há sempre que não goste de outro e sejam feitas festas separadas. Quem escolher? Não é justo dizer que sou mais amigo deste ou daquele. Posição que, infelizmente, tem de ser tomada, pois seria triste passar o ano sozinho.

Por outro lado, festas de jovens nos dias de hoje, acabam por ser um poço de vómito e acabadas com o cheiro a álcool. E se for ao ponto máximo, alguém no hospital. Bem, por vezes corre bem.



Tenho noção do que vejo. Mas não deixo de me querer divertir e desfrutar o melhor possível. Tudo pode melhorar se todos mudarmos o nosso estado de espírito e estivermos preparados para contribuir para uma festa em família e com amigos ao nosso lado; se mudarmos os nossos comportamentos egoístas e esquecermos os pontos negros de cada um.

É um momento de sorrirmos em conjunto e tomarmos consciência de que temos pessoas importantes à nossa volta. E não é apenas sorrir com elas nestes dias. É preparar um sorriso para continuar a viver com essas pessoas um novo ano. É desejar estar o próximo ano com estas pessoas que te fazem feliz.

Como tal, desejo a todos um Bom Natal e um Bom Final de Ano
E que nos vejamos por aí (com um sorriso)

21 dezembro 2010

Doce Amargúra

Porquê ir à procura da morte,
Quando ela vem de livre vontade?
Porquê procurar uma dor forte,
Quando há muito mais na realidade?

Por mais inteligente que o Homem possa ser,
Num momento de maior agonia,
Acaba sempre por o bom esquecer.
Forma-se uma pessoa fria…

Mas essa fase pode ser superada.
Apercebem-se de que não perderam tudo;
Olham à volta e vêm que há mais que nada.
Apenas tinham criado um escudo.

No entanto, com tanto para viver,
Ainda há quem deixe enterrar a amargura,
Confiantes de que vida é sofrer,
Que não passa de dolorosa tortura!

Enganam-se a eles e querem levar alguém.
Apanham outros igualmente mal,
Que se sentem sem ninguém,
E parece-lhes ver alguém igual…

É apenas medo de arriscarem sorrir…
Tudo está mal se o quiserem somente!
Basta abrir os olhos e haverá mais para vir!
Não há necessidade de tornar demente.



(Dedicado àqueles que estão na fase amarga)

20 dezembro 2010

Retomar De Um Sonho

Andei afastado do pensamento. Andava a evitar pensar, porque pensar me deixava mal.

Mas o meu Eu não suporta a ideia de não pensar. Por mais sentimental e emotivo que possa ser, procuro sempre por uma nova questão e, depois, uma resposta.

Tenho-me ficado pelas questões. Quero voltar-me de novo para as respostas. Sem elas sinto que a minha vida perde o objectivo. Sou um ser curioso e funcionarei como tal. Gosto do que é novo, do que é raro, do que é diferente. Tudo o que é igual torna-se aborrecido e acabo por perder o interesse.

É por esse motivo que tanto gosto de investigar, ir à procura. Tento sempre olhar a todos os pormenores. Basta encontrar uma diferença, tanto a nível micro como macro, que já poderá despertar-me interesse.

Já em pequeno, quando não tinha nada que fazer, começava a olhar para algo de tamanho visível para uma pessoa que passasse a correr, mas ia aproximando o meu olhar para conseguir ver outros pormenores que escapariam a outras pessoas que por ali passassem.

Tenho o desejo da Investigação, mas por algum tempo deixei-me para trás. A “vontade” de não fazer nada e estar a descansar foi mais forte até agora. Mas tenciono lutar contra ela. No fundo o meu grande sonho é conseguir algo que nunca ninguém conseguiu, descobrir algo novo, inventar algo novo. Não posso desistir de um sonho destes... A Força de Vontade será mais forte!

19 dezembro 2010

Força de Vontade

Por mais que pense que posso confiar plenamente nos meus amigos, acabam sempre por me esquecer nalgum momento. Acabo sempre por cair a pensar que me iriam agarrar. Estava enganado.

É verdade que há momentos que são capazes de fazer algo por mim. Mas mais tarde ou mais cedo, acabam por se ir embora. Talvez seja o facto de que no início precisem daquilo que dou e mais tarde acabem por conseguir seguir sozinhos, sem mim, sem retribuírem.

Ou talvez seja o caso de eu realmente não servir para o que eles pretendem e acabar por me tornar num saco inútil que acaba por servir de pancada até desistirem definitivamente de mim e se irem embora.

Não peço nada em troca por ser como sou. Não peço sequer que vejam alguma utilidade em mim. Talvez seja mesmo assim que funciona. Talvez não.

Mas que interessa? Tenho uma amiga que nasceu comigo e morrerá comigo. Chama-se Força de Vontade e é ela que me aguenta nos momentos em que todos se afastam. Certamente sou pesado: coração fraco, muito sentimental, vejo todos os pormenores. Mas ela cá me vai aguentando.

É verdade que nem sempre está presente. Tem direito ao seu repouso. É nessas alturas que se nota que caí. Bem, nota-se se alguém me procurar no meio deste mundo e der comigo de olhos no nada. Mas quando mais preciso, é essa Força de Vontade que me vai levantar e me faz seguir em frente e ver que há muito por fazer. E há muito que eu quero fazer!

Não sei se será coincidência, mas esta Força acaba por me socorrer na mesma altura em que alguém repara no meu estado. Tendo em conta que uma força não tem corpo, talvez precise de um corpo para me conseguir socorrer. Então, infiltra-se nessa pessoa, que me estende a mão, e diz-me palavras que me fazem caminhar de novo.

Então no fundo, acabarão estes meus amigos que vão e vêm, por serem indirectamente esta minha Força de Vontade? Serão algo necessário? Não consigo perceber… Se fico mal porque me abandonam, porque tem de aparecer outra pessoa para me socorrer, que no futuro acabará por me deixar na mesma?

Não… Deve ser simplesmente coincidência…

Ou talvez o problema seja meu… Talvez dependa demasiado do que os outros sentem em relação a mim. Talvez devesse começar a pensar mais em mim do que no que os outros querem. Dessa forma não iria cair tão facilmente. E quando caísse, a minha Força de Vontade teria mais energia e, antes que chegasse ao chão, já me teria colocado de novo no caminho certo, sem deixar escorrer qualquer lágrima de dor…