07 setembro 2010

Como carros

Cada um tem uma matrícula diferente,
Cada um tem marcas e cores variadas.
Mas apenas lhes sabem por trás e pela frente,
Pois por dentro são mais coisas alteradas.

O motor é crucial ao veículo,
Mas têm todos diferentes instintos.
Uns andam mais em recta, outros em círculo
E os caminhos que percorrem são distintos.

Alguns velozes, outros nem tanto.
Alguns chegam a longe, outros ficam a um canto.
Uns que batem por ambição
Outros que continuam, com precaução.

Mas essas estradas que viajam,
Depende também dos viajantes.
Tal como nós dos que nos odeiam e amam,
Que sem eles os caminhos não seriam semelhantes.

13 maio 2010

Vida Louca

É quando menos se espera que as coisas boas aparecem. É quando menos se espera que logo a seguir desaparecem.

É por esta razão que estou sempre à espera de tudo.

Mas nem sempre resulta…


Como pensar?
Pensar negativo com um sorriso na cara: primeiro porque a felicidade é maior se acabarmos por ter “sorte”, segundo porque se não a tivermos já estávamos a espera.

Como reagir?
Aproveitar todas as oportunidades ao máximo, com prévio raciocínio, desde que não interfira negativamente com os outros.

Como sentir?
Não ouvir, cheirar, observar, saborear e tocar em demasia.

Como falar?
Dizer-se o que se pensa da melhor forma: ironias para gente inteligente, poucas palavras para os de mais baixa capacidade mental.
Dizer-se o que se sente: nunca! Apenas mostrar! Se não percebe, não te merece.

Como divertir-se?
Fazer o que mais gostamos, fugindo à monotonia: a exploração de várias áreas de interesse é importante.

Como encarar a vida?
Com perguntas e respostas. A vida é um jogo de adivinhas em que podemos testar a Natureza para obter soluções. É uma investigação de detectives que procuram respostas para os crimes do natural. O que é na realidade? Faz esta pergunta a ti mesmo e procura a resposta. Não te limites. Segue até ao Horizonte!

Emoção de vida. Ou morte?

Não dá!
Não fui feito para ser assim!
Por mais aço frio que coloque à volta do meu coração,
Acaba sempre por ser mais forte a emoção!
Porque não posso eu pôr-lhe um fim?!

Morre! Morre!
Desgraça do meu ser…
Estou morto se te sinto!
(A mim mesmo minto…)
Morre para eu viver! …

(Eu sei…)
A vida são sensações…
Mas porque tem tantas desilusões?
Porque tem sempre de doer?
Temos assim tanto de sofrer?

Talvez…
Talvez a dor da morte se torne menos intensa,
Se levarmos com esta mágoa tão densa…
Pois eu prefiro sofrer no fim e viver agora!
Que se lixe a dor! Quero Viver esta Hora!

08 março 2010

Nada Menos Nada é Igual a Zero

Vêm a cara, vêm o corpo, vêm o sexo…
Vêm isto ao contrário… Eu não…
Vejo a sombra, vejo o rosto; paraliso-me no olhar.
Sinto o toque, sinto os lábios; observo quem rouba o coração.
Sinto Paixão, sinto Amor, vejo-me amado.
Vejo a sombra… Sinto-me enganado…

Se vira as costas vou atrás.
Se fala de frente, aguento o que oiço.
Sou boneco de quem mo roubou,
Sou saco de pancada para quem se enganou.
Não falo… Se falo é errado e sou do pior…
Amo… E se o digo a dor é maior…

Se me queixo, queixa-se mais…
Se não faço é para fazer.
Se o fiz não podia ter feito.
Mas que posso eu dizer?
“Vais ser feliz”, “não digas algo sem jeito”.
É isto, sabendo que não é comigo que o quer…

Passei, por palavras, de nada a um pouco,
De um pouco a quase tudo e de seguida para nada mais.
Passei, realmente, de nada a menos nada.
Tornei-me insignificante, com valor negativo.
Se há algo a dizer? Se há algo a fazer?
Esquecer que fui apenas um digestivo,
Que acabou por intensificar a dor…
Fiquei contagiado… A cura já não é Amor…

24 fevereiro 2010

Puzzle dos Problemas

Desligo-me do mundo para me ligar a ele.
Abstraio-me de tudo e foco-me num puzzle,
De um número indefinido de peças,
Todas desorganizadas, sem saberem onde estão.

Oh, desejo o meu de completar aquele puzzle!
Mas... Peças quadradas sem cor...
Impossível? Acreditei que sim...
Mas agora... Agora talvez não seja!

Tentei inutilmente juntar algumas peças,
Ignorante sobre como começar tal monstruosidade.

No entanto, por momentos vi nuvens,
Numa das peças que agarrara.
Foquei o meu olhar
E a peça pareceu desembaciar.
Um conjunto de imagens passou...

E percebi como começar!

Cada peça é um problema.
Cada resposta é a sua imagem.
É preciso olhar para uma de cada vez,
Interpretar e dar resposta...

Pois então já sei qual é a última peça...
O meu problema é dar resposta aos outros...
É resolver o puzzle todo...
Nada é fácil... Nada é impossível...

O que me espera?
Uma vida de um problema,
Que se divide em outros mais...
Cansaço... Vitória?
Talvez...

28 janeiro 2010

Eu, o Espelho e Eu

Observo o solitário espelho embaciado,
Temendo o que por trás daquela neblina me apareça.
Aguardo pacientemente que se torne revelado.
A curiosidade é muita, mas começo a perder a cabeça.

«Que escondes tu, oh espelho?», decido perguntar.
Nada de resposta, nada de tesouro encontrado…
«Responde-me, que não morro sem o desvendar!»,
Mais uma vez o som do vazio; mais frustrado…

«É isto que procuras?», ergue-me o queixo o som!
Rasga-se um sorriso; maior a distorção…
Fico especado para o espelho, com cara sem tom.
Enfrento o meu rosto, a minha face sem expressão.

Não havia posto a hipótese de me esconder a mim.
Desvendo o meu rosto, mas a ele já o conheço…
«Como pudeste cobrir algo assim?!»
«O que te mostro aqui é algo sem preço.».

«A minha face? Para que me serve ela?»
«Permite que conheças com profundidade»
Mais nada se ouviu. Foco-me então nela.
Começo a sentir uma estranha amizade…

Conheço o que vejo. Mas que ideias nela estão?!
Meto conversa, em busca de tal saber.
Convergem divergências que partiram da união,
O que nos levou a concluir um novo ser.

Compreendo agora: de um, em dois se transforma;
Estes requerem dois lados: Eu e Eu, que refutam,
Acabando por construir nova individual Norma.
Com o outro Eu discuto. Os outros não escutam.